Início › Os Cavaleiros Templários

Os Cavaleiros Templários em Tomar: Gualdim Pais, 1 de março de 1160, e um castelo construído para a Reconquista

A resposta breve: os Templários receberam o castelo fronteiriço de Soure em 1128 — pela mãe de Afonso Henriques, Teresa, não por ele — e em 1159 Afonso concedeu-lhes as terras de Ceras, em troca da renúncia a uma reivindicação sobre Santarém. Em 1 de março de 1160 iniciaram a construção de um novo castelo em Tomar, do zero, sob o comando de Gualdim Pais. Esse castelo é aquele no qual cresceu o Convento de Cristo. A UNESCO chama Pais de “grão-mestre dos Cavaleiros Templários”; o título mais exato é Mestre dos Templários em Portugal, pois o Grão-Mestrado era um único cargo internacional e ele não o ocupou. A ordem era uma ordem religiosa católica de cavaleiros, e estava aqui para defender uma fronteira.
Soure concedido1128, por Teresa
Ceras concedido1159, por Afonso
Tomar iniciado1 de março de 1160
Sob o comando deGualdim Pais, Mestre em 1157
O seu títuloDisputado – ver abaixo
Enquadramento da UNESCO“Simbolizando a Reconquista”

Como chegaram aqui

A Regra da ordem foi escrita em 1128 e aprovada no Concílio de Troyes em 1129, e Portugal está entre as suas primeiras doações em qualquer lugar. O castelo fronteiriço de Soure foi doado ao Templo em 19 de março de 1128 — algumas fontes defendem 19 de abril — e a doadora foi Teresa, mãe de Afonso Henriques, e não o próprio Afonso, que o confirmou. Esse detalhe é quase sempre omitido e vale a pena mantê-lo, pois data a posse de terras templárias em Portugal no ano em que a Regra foi redigida (Teresa, Afonso e quem governava o quê).

Três décadas depois, veio a doação que importa aqui. Em fevereiro de 1159 , Afonso Henriques doou as terras de Ceras ao Templo, na pessoa de Gualdim Pais — em troca de os Templários renunciarem às suas reivindicações sobre Santarém. Era uma disputa a ser resolvida, não um presente de simples piedade, e o castelo já existente nas terras estava em ruínas. Em vez de o reparar, Gualdim Pais começou de novo num local melhor: “iniciou a construção do formidável novo castelo de Tomar do zero, em 1 de março de 1160”.

Em 1162 , concedeu à vila de Tomar o seu foral, a sua carta de foral. Tinha sido nomeado Mestre em Portugal em 1157; nasceu em 1118 — um ano que por vezes é erradamente associado à fundação do convento, que é o seu nascimento e não o da construção — e morreu em Tomar em 13 de outubro de 1195, um homem idoso para os padrões de uma fronteira. Uma epígrafe associada aos seus castelos nomeia-o e a sua origem: MAGISTER GALDINUS NOBILI SIQUIDEM GENERE BRACARA ORIUNDUS — Mestre Galdinus, de família nobre, natural de Braga.

O título, e porque este site não imprime “Grão-Mestre” de forma simplista

Ver-se-á constantemente chamado de Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, inclusive pela listagem 265 da UNESCO, cujo texto o designa como “grão-mestre dos Cavaleiros Templários” e “o primeiro grande mestre dos Templários”. Outras fontes são mais cuidadosas: uma chama-o de “mestre dos Templários na Península Ibérica”, a Wikipédia portuguesa simplesmente mestre Templário.

A distinção é real. O Grão-Mestrado templário era um único cargo internacional, exercido no Oriente. Gualdim Pais ocupava um comando provincial. Escrever “Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários” sem qualificação leva o leitor a pensar que liderou toda a ordem, o que não aconteceu. Este site escreve Mestre dos Templários em Portugal, e regista que a própria listagem da UNESCO diz o contrário, pois encontrar-se-á a redação da UNESCO nos painéis informativos.

Para que servia o castelo

Era uma fortaleza fronteiriça. A UNESCO afirma-o no seu próprio critério para a inscrição do local: o convento foi “originalmente concebido como um monumento simbólico da Reconquista”, e a sua Síntese Breve repete-o — “originalmente projetado como um monumento simbolizando a Reconquista”. A Reconquista é a campanha cristã de séculos contra o domínio muçulmano na Península Ibérica, e Tomar situava-se na sua linha de frente móvel.

O próprio edifício contém a prova. Os trabalhos na Charola pararam durante cerca de quarenta anos a meio, e a interrupção é atribuída às guerras almóadas; Tomar foi cercada durante cinco dias durante a campanha almóada da década de 1190. Um mosteiro não costuma ter uma pausa na sua construção porque um exército apareceu. Um castelo fronteiriço tem (as duas campanhas de construção).

Três oliveiras antigas em solo pálido e seco sob a luz baixa da tarde
Oliveiras em terreno árido, fotografadas para este site. Não é o terreno em Tomar — uma imagem do tipo de paisagem que um castelo fronteiriço foi construído para defender, que é a parte desta história que não sobrevive como arquitetura.

Os Templários eram cristãos?

Sim, inequivocamente: uma ordem religiosa militar católica, cujos membros faziam votos religiosos e cujas casas faziam parte da Igreja. A razão pela qual esta questão é colocada prende-se com as acusações de heresia do início do século XIV, e a bula papal que dissolveu a ordem é a melhor resposta a essas acusações. Vox in excelso diz, nas próprias palavras do papa, que “o processo legal contra a ordem até agora não permite a sua condenação canónica como herética por sentença definitiva”. Foram suprimidos. Não foram condenados (como isso funcionou).

De que nacionalidade eram os Templários?

Era uma ordem internacional e não nacional, organizada em províncias por toda a Cristandade Latina com um único Grão-Mestre no Oriente. Os homens em Tomar eram maioritariamente portugueses — Gualdim Pais nasceu em Amares, no Condado Portucalense — mas a ordem a que pertenciam não era uma instituição portuguesa, o que explica exatamente porque é que o que lhes aconteceu em 1312 foi decidido em França e Roma, e não em Lisboa.

Quem foi o Templário mais famoso?

Internacionalmente, o nome que surge é Jacques de Molay, o último Grão-Mestre, queimado em 1314, em grande parte devido à forma como morreu e ao que a lenda acrescentou (o que ele realmente disse). Em Portugal, é Gualdim Pais, e aqui não há comparação: fundou a vila, construiu o castelo, concedeu o foral a Tomar e está sepultado nele. Catarina, ao avaliar uma visita guiada de um dia a Tomar, descreve exatamente o percurso que um bom guia faz — “levando-nos passo a passo desde as suas origens na Terra Santa até ao seu legado em Portugal”.

Esse legado é o argumento do resto deste site. Os Templários foram dissolvidos em toda a Europa. Em Portugal, os seus castelos passaram, por exceção papal explícita, para uma nova ordem que os manteve (se isso é sobrevivência).

Verificar datas para o passeio de um dia sobre a história templária
Cancelamento gratuito até 24 horas antes da partida na maioria dos passeios — reserve agora, decida depois.

Segue-se: por que razão a ordem foi destruída, o que a substituiu aqui, o rei cujo reinado isto aconteceu, e a questão da Maçonaria, respondida.

Perguntas frequentes

Qual é a cidade templária em Portugal?

Tomar. Os Cavaleiros Templários fundaram a vila e iniciaram o seu castelo em 1 de março de 1160 sob Gualdim Pais, e o Convento de Cristo cresceu dentro dessas muralhas. A UNESCO inscreveu o complexo em 1983 como Convent of Christ in Tomar.

Quem foi Gualdim Pais?

O mestre templário em Portugal que fundou Tomar. Foi nomeado Mestre em 1157, iniciou o castelo em 1 de março de 1160 e concedeu foral à vila em 1162. A UNESCO refere-se-lhe como grão-mestre dos Cavaleiros Templários; esse cargo era único e internacional, exercido no Oriente, pelo que Mestre dos Templários em Portugal é a forma correta.

Os Cavaleiros Templários eram cristãos?

Sim — uma ordem religiosa militar católica cujos membros faziam votos religiosos. As acusações de heresia do século XIV nunca resultaram em condenação: a bula que dissolveu a ordem afirma que o processo legal não permitiu a sua condenação canónica como herética por sentença definitiva.

De que nacionalidade eram os Cavaleiros Templários?

Nenhuma em particular. Era uma ordem internacional organizada em províncias por toda a Cristandade Latina sob um único Grão-Mestre. Os Templários em Tomar eram maioritariamente portugueses — Gualdim Pais nasceu em 1118 em Amares, no Condado Portucalense —, mas a ordem em si não era um organismo nacional.

Onde ficava o castelo templário em Portugal?

Tomar, no Ribatejo, a cerca de 135 km de Lisboa. Os Templários receberam o castelo fronteiriço de Soure em 1128 e as terras de Ceras em 1159; em vez de reparar o castelo arruinado em Ceras, Gualdim Pais construiu um novo em Tomar de raiz, começando em 1 de março de 1160.

Qual era a relação entre Portugal e os Templários?

Antiga e invulgarmente boa. Soure foi doado ao Templo em 1128, o ano em que a Regra foi escrita, e Ceras seguiu-se em 1159. Na dissolução, os Templários portugueses não foram perseguidos, não há registo de detenções, e o papa isentou expressamente os seus bens da transferência para os Hospitalários.